quinta-feira, março 16, 2006

 

Desafio aos Pais






Título: Educação: um desafio aos pais
Autor: Rudolf Dreikurs
Editora: McGraw Hill
Nota: 9/10

Um grande livro!
Permitam-me começar por um pequeno trecho da conclusão deste livro, que julgo ser deveras esclarecedor:
“[...] têm na palma da vossa mão o destino da humanidade. Cada geração de pais constitui as bases do futuro”.

Seria bom que todos os pais e mães (especialmente os que se encontram separados) compreendessem e assumissem esta responsabilidade na íntegra.
Acerca deste livro posso fazer uma declaração muito breve mas que diz quase tudo: revolucionou a minha vida! Quer a nível paternal, quer mesmo pessoal e profissional.

O livro está dividido em três partes:
1. O Contexto Psicológico (Cap. 1, 2)
2. Os Métodos de Educação (Cap. 3, 4, 5)
3. A Criança Difícil (Cap. 6, 7)

Primeira parte
O primeiro terço do livro é aquela que será de mais difícil leitura, por ser mais conceptual e teórica.
Contudo para pessoas sem formação específica em psicologia e área comportamental, esta parte é de leitura obrigatória, pois é fundamental para se compreender na totalidade o que vem a seguir, que é o mais importante.

Segunda Parte
É aqui que começa o verdadeiro “sumo” deste livro.
O capítulo 4, “Os erros mais comuns na educação da criança”, identifica de forma clara muitos dos erros de educação, tais como o excesso de mimos, a falta de amor ou afecto, supervisão excessiva, negligência, entre outros. Este capítulo começa no segundo terço do livro, e é precisamente a partir daqui que a leitura se torna entusiasmante, sobretudo graças ao relato de casos reais de vida com os quais o próprio autor foi confrontado para resolver, normalmente com sucesso.

O capítulo 5, “Situações educativas específicas”, enfatiza aquilo que se deve fazer em situações específicas tais como a aprendizagem da fala, higiene e hábitos alimentares.

Terceira Parte
Os dois últimos capítulos deste livro, estão cheios de casos reais, que são, só por si, extremamente elucidativos. Tenho a certeza que muitos de vocês se irão rever pelo menos em um, senão em vários, destes casos.
O capítulo 6, “Compreender os filhos”, fala daquele que eu considero o aspecto mais importante que um progenitor ou educador deve conhecer acerca de uma criança: o mecanismo de procura de atenção.

Se compreenderem isto, já terão meio caminho andado para saberem entender verdadeiramente os vosso filhos. É fundamental sobretudo para aqueles casos mais extremos em que os pais “perdem a cabeça”, com tantos e tão graves problemas de comunicação com os filhos.
Está repleto de casos reais que muito ajudarão a compreender mesmo aquelas pessoas com pouca paciência para as partes mais teóricas.

O capítulo 7, “Orientação e readaptação” baseia-se exclusivamente na apresentação de casos de vida, tirando partido da enorme experiência do autor, para explicar comportamentos como o choro, o medo, a agressividade e atraso mental, entre outros, que muitas crianças apresentam de forma aparentemente injustificada.

Mais uma vez reveste-se de especial interesse para qualquer pessoa, pois o que o autor aqui ensina deve-se quase exclusivamente a algo que não se aprende num dia, nem em nenhuma universidade: experiência profissional e de vida.

Reinterpretar este livro
Este livro foi escrito na década de 1940, pelo que a realidade de então era bem diferente da actual. Devem portanto fazer-se alguns ajustes de interpretação. Se assim fizer, tudo continua a fazer sentido.

Por exemplo, em algumas situações onde se refere a mãe, deve-se entender o educador da criança: qualquer progenitor ou responsável pela educação da criança. Longe vão os tempos em que as mulheres ficavam em casa a cuidar das crianças enquanto os homens, (e apenas eles) estavam fora todo o dia a trabalhar.

Outro caso específico que merece uma reinterpretação, é o de quando se aconselha a ida da criança para o quarto, para se acalmar e ficar sozinha.
É muito importante não esquecer que, hoje em dia, qualquer criança pode ter muito mais no seu próprio quarto do que aquilo que teria na década de 1940 até numa sala de estar! Refiro-me a rádio, televisão, computador, telefone, etc. Por isso, essa poderá não ser hoje em dia uma boa estratégia, dependendo da casa de cada um e dos seus costumes. Mas outras alternativas serão fáceis de encontrar. O que interessa realmente extrair deste conselho é que é conveniente dar algum tempo e paz à criança para ela poder reflectir, em situações de comportamentos mais temperamentais ou irreflectidos por parte desta.

Esta necessidade de reinterpretação é o único ponto fraco do livro e o motivo pelo qual não obteve nota máxima.

Conclusão
Por tudo isto e muito mais, aconselho vivamente a leitura deste livro, quer a progenitores e encarregados de educação, quer a profissionais da área da educação. Ponham em prática as estratégias nele mencionadas. Resultam!

E dito isto termino, como comecei, pelas palavras do próprio autor:
“[...] está nas vossas mãos trazer a felicidade e o sucesso para os vossos filhos”.

Ligações Web
Editora: À data do lançamento deste artigo, o sítio Web da McGraw Hill apontava lamentavelmente para uma área do Espanhol... em construção.
Livrarias: Fnac.pt, Webboom.pt, MediaBooks.pt

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