quarta-feira, abril 05, 2006
A Menina
Vi-te, menina bonitaE enamorei-me de ti.
Conheci-te, menina bonita, e
Houve instantes,
Que desejei fosses minha.
Penso em ti, menina,
Esqueço a minha falta de fé
E rezo
Para que sejas amada,
Para que sejas feliz.
Eu peço...
E penso nele...
O teu velhinho da bengala.
Cabelos esbranquiçados pelo tempo que o ultrapassa
Tal como o trespassam as saudades de ti.
Sua bengala talhada de esperança,
E de tanto amor,
E de tantos abraços que vos foram negados...
Todos guardados para ti.
Conheci-te, menina bonita
E nunca te esqueci.
Teus olhos radiosos de alegria
O teu sorriso aberto e luminoso
As tuas sardas, o teu ar de traquina.
Penso em ti, menina bonita
E rezo
Para que um dia, muito breve,
Encontres esse velhinho
E lhe ofereças todo o teu amor,
Sua juventude,
Em troca da sua bengala...
Desenho:
Extraído do desenho “O melhor papá do mundo famoso”.
Poema:
Este poema foi elaborado pela minha amiga EMFS em Março de 2006.
Quando o li pela primeira vez, fiquei a pensar que ela o dirigia ao seu próprio pai. Mas fiquei sem palavras e comovido quando, umas horas depois, soube pelas próprias palavras da autora que: “Não, o meu pai não entrou aqui. Só a ... e o seu ‘velhinho’.”
Tanto o desenho como o poema tocam directamente na ferida chamada: tempo. Tempo esse que nunca mais poderá ser recuperado...
Este texto e a imagem coabitam em harmonia.
Há pessoas que me compreendem e nem precisam ser homens ou mulheres. Basta antes de mais serem humanos e terem sentido de justiça.
O meu muito obrigado a ti: EMFS!